segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Mais cinemas, menos bingos

Retirado do blog de Inácio Araújo
20/09/2009

No passado, as salas de cinema viraram igrejas evangélicas, estacionamentos e bingos.

Os três signficavam o oposto do cinema, do cinema que amamos, como expressão de liberdade e de crescimento espiritual.

De todos, o que mais me agredia era o bingo, pelo poder de corrupção, de sujeira, de contágio doentio que traz consigo.

O lobby da jogatina está tentando (e conseguindo) fazer com que os bingos voltem. Já passou com folga (entenda-se, deputados de situação e oposição unidos) numa comissão da Câmara.

É impressionante como coisas destrutivas (porém lucrativas) lutam para impor tudo que é indecente com argumentos mais indecentes ainda, que não convém nem repetir de tão imorais.

E outra: ninguém precisa das ultrajantes esmolas que eles propõem distribuir aqui e ali.

Que muitas salas de cinema, de leitura, de espetáculos, de arte abram e possam contribuir para a população se instruir, se divertir, se aperfeiçoar. Bingos, não.



Um comentário geral:

Eu entendo as senhoras que iam se divertir nos bingos com R$ 10 por noite. Posso até entender que existam donos de bingos honestos.

Mas o fenômeno da liberação é mais grave. De cara, ela é só o início da atividade do lobby pela reabertura dos cassinos.

Certas alegações não fazem sentido. Dizer que bingos criam emprego é uma falácia.

Ora, o cinema mudo também dava muito emprego a músicos. Quando acabou foi uma crise desgraçada no setor. Devemos, então, reabrir o cinema mudo?

Os empregos não criados aqui serão criados no Paraguai? Ótimo. Eles estão mais precisados do que nós.

Devemos ter bingos e cassinos porque nos países ricos é assim? Então deveríamos saudar a chegada do crime organizado (não o dos cassinos, o do PCC), o racismo, os pogroms etc.

É um argumento que não faz sentido. O que podemos copiar dos países desenvolvidos é a igualdade sueca, o sistema de saúde francês etc. Não cassinos.

A alegação dos deputados de que se trata de legalizar algo que existe de fato é inacreditável.

A seguir essa lógica também podemos legalizar o assassino de primeiro grau, por exemplo, que existe há mais tempo que os bingos.

Também sou contra o excesso de loterias administradas pela Caixa Econômica, mas é preciso reconhecer que a natureza desses jogos tipo loteria é completamente outra. Em todo caso, se fossem proibidos, também, teriam meu apoio. Nesse papo de jogatina eu fecho com o presidente Dutra. É coisa deletéria.

Nem estou falando de bingos que inventam galeria de arte fajuta e buscam dinheiro de leis de incentivo à cultura, portanto dinheiro que era da literatura, do teatro, das artes, do cinema.

Por Inácio Araujo às 03h52

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dia sem carro... Em Ribeirão Preto ?

O Jornal "A Cidade" de Ribeirão Preto publicou hoje um comentário sobre o "Dia sem Carro". Segundo o veículo, o dia deve passar em branco em Ribeirão Preto, já que nenhuma iniciativa foi tomada no sentido de incentivar a população a deixar seus carros em casa... Eu, particularmente, sou fã da bicicleta e costumo ir trabalhar de bicicleta, sempre que possível... E não é necessariamente por causa do meio ambiente, mas para meu benefício próprio em termos de exercícios e saúde, além do prazer do passeio...

Agora, quero fazer uma pergunta aos munícipes e aos nossos vereadores: Quantas ciclovias temos ? O trecho da Castelo Branco e o balão da Kennedy foram reformulados recentemente. Quantas ciclovias foram feitas no local ? Meu caminho para ir ao trabalho é justamente pela Kennedy e vou dizer: Cada vez que vou, penso duas vezes em ir de novo, em razão das diversas "finas" que os motoqueiros e motoristas de carros, onibus e caminhões tiram de mim e de minha bicicleta.. Interessante que quando eu estou de carro também vejo motoqueiros tirando "finas" do meu carro e até me dando fechadas... Inclusive policiais de motos ! Agora pegue você seu carro e tire uma fina de um motoqueiro para ver a reação dele...

Outra coisa: Motos no corredor... Observe uma moto vindo atrás de você, que está de carro... Se a moto estiver mais rápida a maioria dos motoqueiros não se intimida em se meter no corredor entre os carros. inclusive em mão contrária. para realizar a ultrapassagem... Agora venha você de carro e encontre este mesmo motoqueiro no sua frente, mais lento que voce, e veja se ele encosta a motocicleta no corredor para você ultrapassá-lo... Imediatamente ele coloca a motocicleta absolutamente no meio da rua, ocupando todo o lugar que ele sempre deveria ocupar... Experimente dar um sinal de luz ou uma buzinadinha para pedir isso, exatamente como eles fazem e veja a reação... Se ele pelo menos não te olhar muito feio, pode me mandar um email que te pago um jantar... Agora cuidado, porque se ele estiver armado pode te matar...

Conclusão: Temos um mar de pessoas absolutamente doentes na nossa sociedade. Desde os políticos, o poder público, até os cidadãos, de todas as categorias... No meu caminho para o serviço existe um cruzamento de duas ruas, sendo que uma delas vem do fórum, exatamente em frente ao Buffet Helena... Quem vem por esta rua deve parar, obedecendo a sinalização existente, para que os demais passem... Diariamente vejo diversos advogados, juízes, procuradores, todos com os seus carrões, saindo do fórum e cruzando este local, ingnorando completamente a sinalização sem sequer olhar para verificar se vem alguém em sentido contrário...

Então percebo que não é um problema da população de baixa renda...

Quantas pessoas você já ouviu contando sobre a tal "prova" de renovação de carteira, que você faz num computador, ou numa sala com câmeras para que não haja fraude ? Quantas você já ouviu contando que o instrutor sentou atrás, numa área onde a câmera não mostra, para "cantar" as respostas corretas ? Alguém por acaso já se deu ao trabalho de olhar as perguntas ? Eu fiz esta prova. Baixei o manual no site do Detran e estudei o manual. Duas lidas são suficientes... São perguntas simples, básicas... Quem não souber respondê-las não pode nem andar na rua a pé, porque são noções básicas de convivência... Se precisa "colar" para isso, o que podemos esperar ?

Tá bom, vou parar por aqui... Se eu for mencionar celular ao volante ninguém mais vai ler mesmo...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Obras do Governo Federal



Não é verdade que o Governo Federal não está fazendo nada. Está fazendo sim, e muito. Com o Bolsa Família, ele tem dado condições das famílias se alimentarem e viverem na situação acima. Olha aí, tem até plaquinha avisando.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

No Senado, está difícil achar alguém que valha a pena


E o cartão vermelho do Suplicy? Depois vem o Heráclito com aquela cara de boxer falar asneira, mas acaba soltando verdades no meio: "não vai dar cartão vermelho para o Presidente Lula?"

Onde isso vai parar?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Tudo Igual do Mesmo

Estava com um texto pronto para colocar no blog, sobre a saída do Mercadante. O texto dizia que apesar dos tropeços do PT, apesar da saída da Marina Silva, ainda havia uma luz no fim do túnel. Pessoas como Mercadante não se dobrariam à venda da honra do partido ao PMDB de José Sarney, o homem dos atos secretos.

Eis que a luz apagou-se. Mercadante decidiu ficar e vender sua reputação (veja matéria em http://noticias.uol.com.br/politica/2009/08/21/ult5773u2176.jhtm ). Uma tristeza, porque Mercadante era um dos últimos homens do PT cuja honra, pelo menos para mim, ainda estava intacta. Ver o Bigode vender a alma ao diabo (com todo respeito ao diabo) foi terrível.

Como se não bastasse. O PT já estuda lançar Palocci como candidato no lugar de Dilma. Ela ficou meio mal com este negócio de visita da mulher da Receita. Passou por mentirosa, porque acharam o motorista e ele confessou tudo. Bom, quem mente por isso, vai mentir em campanha também. Não que esperássemos, infantilmente, que ela fosse falar a verdade. Mas é que pelo menos tentamos fingir.

Agora, lançar o Palocci será um ato glorioso. Porque, aí sim, o PT mostrará a que veio. Mostrará que os discursos na época da ditadura nada mais eram do que mentiras deslavadas para enganar os desavisados. Era tudo uma fachada para enganar os revoltados com os desmandos da ditadura. E enganaram como nunca na história deste país.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Ótima Charge do Adão Iturrusgarai

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Coluna na IstoÉ

ISTOÉ - Independente
Colunistas

Leonardo Attuch

Ética não se devolve

Se uns merecem ser cassados pelos atos secretos, Arthur Virgílio deveria cair pela cara de pau

Agora, é fácil. Roubou, devolve. Sem pressa, em suaves prestações. É esse o padrão que o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), moralista número 1 do Congresso, pretende inaugurar na Nova República. Virgílio, que pede a cassação do presidente da Casa, José Sarney, também foi pego fazendo estripulias.

Recebeu um empréstimo de R$ 10 mil do diretor-geral Agaciel Maia e bancou, com nosso dinheiro, um funcionário fantasma durante 18 meses, que recebeu R$ 210 mil enquanto estudava teatro na Espanha. Flagrado, Virgílio não perdeu a pose. Fez um depósito de R$ 60,6 mil em nome da União e promete pagar o restante em parcelas de R$ 50 mil, à medida que vá vendendo imóveis.

Do alto de sua superioridade moral, Virgílio desafiou seus colegas a fazer o mesmo, como se fosse o mais casto dos senadores. Ocorre que a ética na política é muito parecida com a virgindade. Não se pode hipotecá-la. E, uma vez perdida, não há cirurgia que restitua a pureza original. Quando se escorrega, o procedimento natural de um homem público é reconhecer o erro, penitenciar-se e retirar o time de campo. O inaceitável, que soa como malandragem, é a tentativa de transformar vícios em virtudes. Aliás, se todos pudessem agir como o senador tucano, não haveria mais corruptos no Brasil nem a necessidade de polícia, Justiça ou coisa que o valha. Bastaria devolver a prazo o dinheiro subtraído a vista, apenas quando os escândalos fossem descobertos. Imagine-se, por hipótese, que o padrão Arthur Virgílio valesse também para o juiz Nicolau dos Santos Neto. Ele venderia o apartamento em Miami e já estaria novamente construindo sedes faraônicas de tribunais.

O ex-presidente Fernando Collor teria evitado o impeachment comprando uma nova Fiat Elba a prazo. E Delúbio Soares, José Dirceu, Marcos Valério e muitos outros personagens da cena política brasileira não estariam enfrentando tantos processos na Justiça.

O que a moral virgiliana escancara é muito simples. A atual crise do Senado não tem absolutamente nada a ver com ética ou interesse público. Trata-se, pura e simplesmente, de uma guerra política entre gangues distintas. A forma mais simples de compreendê-la é enxergar o Senado como uma gigantesca boca de fumo numa favela carioca, disputada por bandos rivais. Conquistar o território é essencial para uma disputa ainda mais importante: a do Palácio do Planalto.

E se uns merecem ser cassados por atos secretos, outros têm que ser cassados pela cara de pau. O problema do Brasil, definitivamente, não é a ética ou a falta dela, mas sim os éticos que se apropriam da causa.

31/7/2009

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Vamos mudar a constituição ?

autor: Ernest Sern

Querido amigo leitor... Fiquei perplexo ao assistir o jornal ontem e ver as declarações ridículas do nosso presidente Lula ao Ministério Público: "Investiguem o Sarney mas lembrem-se da Biografia dele...". Fiquei pensando que aquele texto inútil que diz que "todos são iguais perante a lei" deveria ser urgentemente modificado: "Todos são iguais perante a lei, dependendo da sua biografia...". E fiquei me perguntando que raio de biografia seria essa:
- Talvez o coronelismo no Maranhão ?
- A concessão de milhares de favores, empregos e licitações com o nosso dinheiro para amigos, familiares e conhecidos ?
- A completa falência da ética, da honestidade, da responsabilidade, da preocupação para com seus semelhantes (que não sejam amigos e família, ou seja, eu e você) ?
Não tenho respostas...

A única coisa que me assustou mais do que isso foi a declaração do advogado do dito cujo sobre as gravações telefônicas (que aliás estão bombando na Internet), "AUTORIZADAS PELA JUSTIÇA", que mostram nosso "ilustre dono de uma biografia" acertando um emprego para o namorado da neta: "Vamos processar o estado pela divulgação das gravações !" !! Vale a pena ressaltar que a tal vaga de emprego, antes de estar "livre" era do neto do Sarney, irmão desta que agora tenta "encaixar" o namorado no esquema... Olhem a que ponto chegamos: Não é nem marido, nem noivo, é só namorado...

Em outras palavras meu amigo leitor: Cuidado ! Você pode ser processado amanhã, talvez até hoje... Porque errado não é fazer negociatas com cargos, engordando o orçamento da família (e aqui não estou falando de pai, mãe e filhos apenas, mas de toda árvore genealógica), de amigos e conhecidos... Errado não é usurpar seu cargo, roubar dinheiro público na cara de toda nação... Errado não é mentir e dizer que não sabia de nada ou que não tinha conhecimento de que tais coisas aconteciam ou que não tinha nenhuma relação com o Agaciel, sendo que a gravação mais do que prova que tinha... Errado não é fazer uso de ATOS SECRETOS para cometer toda espécie de crimes... Errado não é fraudar licitações... Errado não é execer poder com dinheiro público e comprar votos de pessoas miseráveis e analfabetas com um mísero bolsa família ou bolsa escola...

Errado é investigar isso ! Errado é provar isso ! Errado é permitir que o povo saiba disso tudo ! Errado é você tomar conhecimento disso e tentar esboçar alguma reação... Errado é você olhar para estes crimes e querer punição... Errado é você roubar uma galinha ou uma caixa de leite no supermercado para matar a fome... O certo é roubar todas as galinhas, todos as caixas de leite, toda nação... Aí sim, até o presidente vai ser seu amigão !

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Gol de placa

Cláudio Lembo
De São Paulo

Vai mal. Muitos já perceberam a decadência de nosso grau de civilidade. Falam. Pregam no deserto. Ninguém quer escutar. É bom viver o dia que passa. O futuro a Deus pertence. É o pensamento hegemônico.

Caíram por terra os nossos mais sadios traços de convivência. Ninguém respeita ninguém. Os professores são desconsiderados em salas de aulas. Os pais não se relacionam com seus filhos.

Uma confusão geral. Esta se desdobra em todos os setores da sociedade. Nas relações de trabalho, os conflitos são comuns. No interior das religiões, atos impensáveis. Nada de bom exemplo.

Uma onda de deboche. Uma malícia disseminada em todas as conversas. Avança para a política. Todos se "lixam" de todos. As relações sociais se deturpam. As condutas ferem o sentimento médio acumulado por séculos.

A que se deve tão ampla onda de rompimento da convivência entre as pessoas? As causas podem ser muitas. A urbanização desenfreada que trouxe, para um único local, culturas diversas.

Ou então os meios de comunicação eletrônica que lançaram uma avalanche de costumes desconhecidos de amplos setores da sociedade. Os hábitos de determinados setores urbanos transferiram-se para todo o país.

Deu no que deu. Ninguém respeita ninguém. Uma entropia invade todos os segmentos da sociedade. Há campanhas publicitárias sobre tudo. Não há campanhas informativas sobre como proceder.

Inexiste preocupação sobre aspectos mínimos da razoável forma de se conduzir por parte das pessoas. Elas não são incentivadas a praticarem formas civis de convívio.

Tudo se tornou uma luta de todos contra todos. A agressividade invadiu o contexto social. Viver em sociedade, apesar do ensinamento em contrário, dos antigos filósofos, tornou-se oneroso.

Daí a fuga para um individualismo perverso. A retirada para o interior das moradias. O não conhecer o vizinho. A ausência da boa troca de idéias. Tudo recuou para o individual.

Quando se busca o convívio surge, comumente, o desafio do diálogo pobre. Entrecortado por frases desconexas e tratamento desprimoroso. Perdeu-se o traço singular do ser humano: a capacidade de convívio.

Isto acontece em todas as sociedades. Atingiu grau superior por aqui. Deformaram-se nos costumes. O melhor da brasilidade perdeu-se na mediocridade.

Nada foge a esta realidade. Da universidade à várzea, proliferam as formas incivilizadas de agir. As escolas são depredadas pelos alunos. Os templos violados. As cidades agredidas pelo mau uso.

Perderam-se os núcleos básicos de aprendizado da boa educação. As crianças e os jovens estão soltos. Já não contam com os pais para ensinar as regras mínimas de conduta. Estão ao Deus dará.

Este amargor alcança muitas pessoas, particularmente os que tiveram a felicidade de viver outros tempos. Não se trata de pessimismo ou saudosismo.

É mais. Trata-se de simples constatação de uma realidade envolvente. Ela surgiu com mais vigor nesta semana. O jornal Folha de São Paulo sabatinou Ronaldo, o jogador do momento.

Quando um educador fala, ninguém dá importância no atual contexto. É mais um chato a oferecer opiniões desagradáveis. Um pernóstico recheado de doutrinas e preconceitos.

Agora, quem pôs o dedo na ferida foi ele, Ronaldo, a figura mais exposta pelos meios de comunicação nos últimos tempos. Foi duro. Salutar, porém. Ronaldo foi enfático, mais do que enfático, marcou um gol à distância.

Ao ser indagado como e onde educará seu filho, respondeu o jogador do momento, na Europa. As crianças brasileiras são maliciosas. Possuem palavreado de adolescentes. Proferem palavrões.

E ao ser provocado por grito da platéia, Ronaldo foi além. Afirmou ser seu filho brasileiro, mas que prefere que ele conte com amiguinhos europeus, sem malandragem dos amiguinhos brasileiros.

Concluiu o fenômeno: "A gente quer sempre o melhor pros filhos, e eu, podendo escolher, prefiro que ele tenha educação européia". Acertou na ferida. Não deixou saídas.

Lamentável. Lição, porém, legítima porque retrata a realidade social de degenerência dos costumes. É bom tomar atenção, se ainda houver tempo. Um pouco de boa educação não faz mal a ninguém.

É Ronaldo quem diz. Não um pedagogo qualquer.


Cláudio Lembo é advogado e professor universitário. Foi vice-governador do Estado de São Paulo de 2003 a março de 2006, quando assumiu como governador.

Vários Assuntos em um Só

Como faz tempo que não escrevo, já estou postando tudo numa tacada só. Vejam algumas coisas que saíram na mídia durante esta semana:

Filha ou máquina de ganhar dinheiro?
Já ficou longe o limite entre o que é saudável e o que é ganância no caso da menina Maísa. Os pais precisam ser chamados à razão urgentemente. Não bastasse o vídeo do menino fantasiado, agora está rolando um outro onde ela é ridicularizada pelo gagá do Sílvio Santos. Alguém com algum tipo de poder poderia parar com isso, vai acabar com a menina.

Perseguição aos que não gostam dele
Um estudo comprovou que os opositores de Hugo Chavez estão sendo perseguidos, inclusive com salários reduzidos. O problema é que não sabemos onde esta insanidade vai parar. Diz a pequena piada, que se tem pé de pato, bico de pato, corpo de pato e penas de pato, é um pato, sem dúvida. A Venezuela está com um presidente ditador, jeito de ditadura, consequências de ditadura... Só não vê quem não quer. O rastro que as ditaduras latino-americanas deixaram é assustador.

"Criminoso preso é azarado"
Especialista em segurança disse o que está acima. Também acho. É muito azar ficar preso num país onde a Justiça é uma piada, com ministros se acusando em público e ficando por isso mesmo.

Sindicatos Anti-Trabalhador

A Folha de hoje traz a notícia que todo mundo sabe mas poucos têm a coragem de falar: o dinheiro arrecadado pelos sindicatos vai para um saco sem fundo. Vou contar uma história: há uns 15 anos presenciei uma conversa entre um contabilista e o "dono" do Sindicato dos Trabalhadores em Igrejas da cidade de São Paulo. O contabilista informou a ele que se os benefícios para os trabalhadores continuasse aumentando tanto, ficaria inviável para qualquer igreja manter um zelador ou coisa que o valha. Pois bem, os funcionários passaram a receber aumento após aumento, benefícios como auxílio moradia - mesmo para quem morasse nas dependências das igrejas - e uma série de outros que, juntos, fizeram muitas igrejas simplesmente terceirizar os serviços. O que parecia benefício se tornou um problema. Apesar do aumento no número de igrejas, o número de funcionários estabilizou-se.

Conforme a Folha, as empresas estão fundando suas próprias associações a fim de proteger seus interesses. Os sindicatos patronais brasileiros ganham pouca - ou nenhuma - briga com os sindicatos dos empregados. Mas há de se pensar que sem as empresas, não há trabalhadores, nem economia decente.

A fraqueza dos sindicatos patronais levou a esta situação. Pensando que estavam prestando serviços aos trabalhadores, percebem agora que o tiro saiu pela culatra.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Susan Boyle

Se você ainda não assistiu os vídeos inseridos no YouTube com a performance de Susan Boyle no Britain's Got a Talent, aí vai um link, legendado: 


Assista antes de continuar a leitura.

Aproveite e leia também os cometários sobre o vídeo. Você verá pessoas que se dizem envergonhadas porque somos preconceituosos, pessoas que se dizem emocionadas pela performance desta senhora, de 47 anos. Verá homens dizendo que choraram, verá mulheres se dizendo surpresas, verá outros lamentando e criticando a falta de oportunidades neste mundo em que vivemos e verá ainda outras exaltando a persistência de uma pessoa que, mesmo depois de 47 anos de frustração em relação ao sonho que tinha, não desistiu dele e o realizou, ainda que depois de tanto tempo.

Quando vejo tudo isto acontecendo por causa de um vídeo de 7 minutos e pouco, fico perplexo... Perplexo porque nestes poucos minutos a frente daquele palco, Susan Boyle conseguiu transmitir algumas mensagens que tantas outras pessoas tentaram transmitir através de livros, poesias, músicas, mensagens, protestos, passeatas, discursos, pinturas, esculturas e que dificilmente conseguiram tanta eficácia, tamanha compreensão por parte daqueles que ouviam ou viam suas manifestações...

Ousando se expor, ousando ser criticada e ridicularizada, assumindo os riscos e as consequências de um possível fracasso, Susan subiu naquele palco e, como uma escultura viva, foi lida e interpretada pela platéia, pelos jurados e  por todos que assitiram e assitirão o vídeo posteriormente. Sem medo de errar digo que todos, sem distinção, a partir da visão de Susan Boyle, pensaram dela algo menor do que ela realmente era, do que ela realmente é. E é justamente por isso que o vídeo nos comove tanto, porque nos faz ver o quão cruéis nos somos e o quão incapazes de saber as verdades por trás daquilo que nossa visão nos mostra. Apenas aqueles que são cegos, do ponto de vista físico, é que poderão dizer algo diferente. Porque não criaram falsas expectativas a partir da visão.

Susan, assim como Paul Potts (http://www.youtube.com/watch?v=iS-F0ZfSEUA), são marcos de como podemos transmitir uma mensagem capaz de impactar pessoas. Ambos cantaram com a alma e cantaram músicas que traduziam em suas letras exatamente a realidade que eles viviam naquele momento. Aliás, outra lição grandiosa: Nossa vida é feita de momentos e as vezes até breves momentos, mas que nos marcam por toda eternidade...

terça-feira, 31 de março de 2009

Círculo de Consumo

Assisti hoje ao vídeo "A História das Coisas", sobre o ciclo de consumo - principalmente nos Estados Unidos - e a conclusão de tudo isso é: a coisa é muito preocupante. O vídeo toca em pontos muito legais, principalmente aqueles temas que preferimos evitar ou desconhecemos.

Resolvi colocar a versão dublada aqui no blog. Espero que você goste!

O Assalto

- Alô? Quem tá falando?
- Aqui é o ladrão.
- Desculpe, a telefonista deve ter se enganado, eu não queria falar com o dono do banco. Tem algum funcionário aí?
- Não, os funcionário tá tudo refém.
- Há, eu entendo. Afinal, eles trabalham quatorze horas por dia, ganham um salário ridículo, vivem levando esporro, mas não pedem demissão porque não encontram outro emprego, né? Vida difícil... Mas será que eu não poderia dar uma palavrinha com um deles?
- Impossível. Eles tá tudo amordaçado.
- Foi o que pensei. Gestão moderna, né? Se fizerem qualquer crítica, vão pro olho da rua. Não haverá, então, algum chefe por aí?
- Claro que não mermão. Quanta inguinorânça! O chefe tá na cadeia, que é o lugar mais seguro pra se comandar assalto!
- Bom... Sabe o que é? Eu tenho uma conta...
- Tamo levando tudo, ô bacana. O saldo da tua conta é zero!
- Não, isso eu já sabia. Eu sou professor! O que eu queria mesmo era uma informação sobre juro.
- Companheiro, eu sou um ladrão pé-de-chinelo. Meu negócio é pequeno. Assalto a banco, vez ou outra um sequestro. Pra saber de juro é melhor tu ligá pra Brasília.
- Sei, sei. O senhor tá na informalidade, né? Também, com o preço que tão cobrando por um voto hoje em dia.... Mas, será que não podia fazer um favor pra mim? É que eu atrasei o pagamento do cartão e queria saber quanto vou pagar de taxa.
- Tu tá pensando que eu tô brincando? Isso é um assalto!
- Longe de mim pensar que o senhor está de brincadeira! Que é um assalto eu sei perfeitamente; ninguém no mundo cobra os juros que cobram no Brasil. Mas queria saber o número preciso: seis por cento, sete por cento?
- Eu acho que tu não tá entendendo, ô mané. Sou assaltante. Trabalho na base da intimidação e da chantagem, saca?
- Ah, já tava esperando. Você vai querer vender um seguro de vida ou um título de capitalização, né?
- Não... Já falei... Eu sou.... Peraí bacana... Hoje eu tô bonzinho e vou quebrar o teu galho.
(um minuto depois)
- Alô? O sujeito aqui tá dizendo que é oito por cento ao mês.
- Puxa, que incrível!
- Incrive por quê? Tu achava que era menos?
- Não, achava que era mais ou menos isso mesmo. Tô impressionado é que, pela primeira vez na vida, eu consegui obter uma informação de uma empresa prestadora de serviço pelo telefone em menos de meia hora e sem ouvir 'Pour Elise'.
- Quer saber? Fui com a tua cara. Acabei de dar umas bordoadas no gerente e ele falou que vai te dar um desconto. Só vai te cobrar quatro por cento, tá ligado?
- Não acredito! E eu não vou ter que comprar nenhum produto do banco?
- Nadica de nada, já tá tudo acertado!
- Muito obrigado, meu senhor. Nunca fui tratado dessa...
(de repente, ouvem-se tiros e gritos)
- Ih, sujou! Puliça!
- Polícia? Que polícia? Alô? Alô?
(sinal de ocupado)
- Droga! Maldito Estado: quando o negócio começa a funcionar, entra o Governo e estraga tudo!

hahahahahhaha
Só pra descontrair um pouco...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Roubo Monumental

O Governo Brasileiro arrecadou pouco mais de 700 bilhões de reais em 2008. Foi o recorde histórico de arrecadação, com crescimento 7% acima da inflação se comparada com a arrecadação de 2007. É muito dinheiro. Muito dele é desviado por pessoas do próprio governo, como bem se sabe.

O que me deixou estupefato é que houve um desvio de 200 bilhões em 2008. Isso é muito dinheiro, concorda? Foi um desvio e tanto. Foi monumental. E, pior, sabe-se quem desviou.

Quem desviou os 200 bilhões foi a população. Este é o número referente à estimativa de sonegação de 2008. Dá mais ou menos 25% do total.

Se os cidadãos pagassem seus impostos normalmente, nossas escolas seriam 25% melhores, nossos hospitais seriam 25% melhores, com 25% mais vagas. Tudo bem, não resolveria a coisa. Mas amenizaria bastante.

Moeda Alternativa

Como o dólar fica à mercê do governo norte-americano, os Bancos Centrais estão estudando a possibilidade de criar uma moeda alternativa, que se chamaria SDR (Special Drawing Rights). Esta moeda teria, em tese, um valor alheio às subidas e descidas de mercado. As outras moedas é que sofrerão variações.

Isto já foi feito, em escala menor, no Brasil. Na época daquela inflação cabeluda, criaram a URV (Unidade Real de Valor) para indexar todas as coisas. Depois, Fernando Henrique Cardoso transformou a URV em Real, que é nossa moeda até hoje.

Será que há a intenção de transformar a SDR em moeda mundial no futuro? Não sei. Por enquanto eu só observo. Se a tal da SDR precisar ser creditada em um chip na minha testa, vou começar a ficar preocupado.